sábado, 24 de outubro de 2009

Imoralidade ainda supera conquistas de Ricardo Teixeira


Imoralidade ainda supera conquistas de Ricardo Teixeira

Perpetuado há mais de vinte anos presidente venceu duas copas mas escândalos prevalecem


Que Ricardo Teixeira é um dos grandes responsáveis pelo sucesso da seleção brasileira de futebol, dentro e fora dos gramados, é inegável. O gestor de qualquer entidade deve trazer prosperidade para a mesma, e isso ele fez. O lucro da CBF, dirigida por Ricardo, em 2008 foi o maior da história da entidade, quase triplicando a segunda maior receita, e fechando em R$32 milhões. No período em que esteve no poder ele conseguiu ainda trazer duas taças da Copa do Mundo para o país, além de ter chegado a uma segunda colocação. Esses fatores mostram uma faceta um tanto quanto heróica do homem que preside a maior entidade de futebol do país há mais de vinte anos.

A face oculta

Ricardo Teixeira tem seu nome associado a diversas vitórias, mas sua fama vem acompanhada de acusações e denúncias de escândalos. Os delitos apurados correspondem a nepotismo no preenchimento de cargos na confederação, pagamento de viagens para magistrados e outras autoridades com verba da CBF, feitura de contratos lesivos, principalmente na parceria com a Nike, omissão nas declarações de rendimentos auferidos pelo próprio em 91,92 e 93, inclusive em suas fazendas no Rio de Janeiro. Um currículo um tanto quanto maculado para um presidente em exercício desde 1989, e que já prestou esclarecimentos em diversas CPIs.

“O vôo da muamba”

Um caso chama maior atenção, é apelidado de “vôo da muamba”, e ocorreu em 1994. A comissão da seleção brasileira voltava da Copa do Mundo, realizada nos Estados Unidos, com muita moral e muita bagagem. Como todos sabem, na época, através do Plano Real o dólar estava com uma cotação baixa, o que facilitava as compras nos E.U.A. Assim a delegação voltou com nada menos do que 17 toneladas de produtos importados. A Receita Federal foi obrigada a impedir a entrada de tamanha bagagem, e para não pagar impostos o “Dr. Rico Teixeira” como era carinhosamente conhecido, acionou seus contatos para liberar o conteúdo, que teve que ser transportado por dois caminhões e seis caminhonetes para fora do aeroporto. A “liberação” do chefão teve um prejuízo para a Receita estimado em mais de um milhão de reais, o valor pago no aeroporto foi de 50 mil. Como ninguém consegue sair ileso de tudo, Teixeira foi alvo de uma ação civil movida pelo Ministério Público por improbidade administrativa. A condenação saiu (obviamente não é final, cabe recurso), e como toda boa pizza, ficou na esfera pública, condenado o presidente da CBF a ter seus direitos políticos suspensos por três anos. Ele não poderá, neste período, firmar contratos com o Poder Público e receber benefícios ou incentivos fiscais.

Era um tanto quanto óbvio que ninguém seria preso, e é um tanto quanto previsível que a pena não será cumprida, porém qualquer cidadão comum que burla a Receita Federal merece a prisão. E isso me tira do sério.