Imoralidade ainda supera conquistas de Ricardo Teixeira
Perpetuado há mais de vinte anos presidente venceu duas copas mas escândalos prevalecem
Que Ricardo Teixeira é um dos grandes responsáveis pelo sucesso da seleção brasileira de futebol, dentro e fora dos gramados, é inegável. O gestor de qualquer entidade deve trazer prosperidade para a mesma, e isso ele fez. O lucro da CBF, dirigida por Ricardo, em 2008 foi o maior da história da entidade, quase triplicando a segunda maior receita, e fechando em R$32 milhões. No período em que esteve no poder ele conseguiu ainda trazer duas taças da Copa do Mundo para o país, além de ter chegado a uma segunda colocação. Esses fatores mostram uma faceta um tanto quanto heróica do homem que preside a maior entidade de futebol do país há mais de vinte anos.
A face oculta
Ricardo Teixeira tem seu nome associado a diversas vitórias, mas sua fama vem acompanhada de acusações e denúncias de escândalos. Os delitos apurados correspondem a nepotismo no preenchimento de cargos na confederação, pagamento de viagens para magistrados e outras autoridades com verba da CBF, feitura de contratos lesivos, principalmente na parceria com a Nike, omissão nas declarações de rendimentos auferidos pelo próprio em 91,92 e 93, inclusive em suas fazendas no Rio de Janeiro. Um currículo um tanto quanto maculado para um presidente em exercício desde 1989, e que já prestou esclarecimentos em diversas CPIs.
“O vôo da muamba”
Um caso chama maior atenção, é apelidado de “vôo da muamba”, e ocorreu em 1994. A comissão da seleção brasileira voltava da Copa do Mundo, realizada nos Estados Unidos, com muita moral e muita bagagem. Como todos sabem, na época, através do Plano Real o dólar estava com uma cotação baixa, o que facilitava as compras nos E.U.A. Assim a delegação voltou com nada menos do que 17 toneladas de produtos importados. A Receita Federal foi obrigada a impedir a entrada de tamanha bagagem, e para não pagar impostos o “Dr. Rico Teixeira” como era carinhosamente conhecido, acionou seus contatos para liberar o conteúdo, que teve que ser transportado por dois caminhões e seis caminhonetes para fora do aeroporto. A “liberação” do chefão teve um prejuízo para a Receita estimado em mais de um milhão de reais, o valor pago no aeroporto foi de 50 mil. Como ninguém consegue sair ileso de tudo, Teixeira foi alvo de uma ação civil movida pelo Ministério Público por improbidade administrativa. A condenação saiu (obviamente não é final, cabe recurso), e como toda boa pizza, ficou na esfera pública, condenado o presidente da CBF a ter seus direitos políticos suspensos por três anos. Ele não poderá, neste período, firmar contratos com o Poder Público e receber benefícios ou incentivos fiscais.
Era um tanto quanto óbvio que ninguém seria preso, e é um tanto quanto previsível que a pena não será cumprida, porém qualquer cidadão comum que burla a Receita Federal merece a prisão. E isso me tira do sério.